Alternativa terapêutica para tratar diabetes pode estar perto

Por Joelson Moura*

 

 

A modernidade trouxe muitos benefícios para a humanidade, mas como nem tudo são flores, também trouxe alguns efeitos colaterais. O estilo de vida contemporâneo pode ter contribuído para o surgimento de diversas enfermidades, conhecidas como “doenças da civilização”, e umas das principais doenças é a diabetes mellitus (DM), ou simplesmente diabetes. 
A DM é caracterizada pelo aumento anormal de açúcar no sangue — que em excesso pode ser prejudicial à saúde —, podendo ser causada por má alimentação, sedentarismo, entre outros fatores. Para muitos pesquisadores, DM é uma das emergências médicas mais importantes do século 21, e de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (https://portal.fiocruz.br/noticia/taxa-de-incidencia-de-diabetes-cresceu-618-nos-ultimos-10-anos), somente no Brasil houve um aumento de 61,8% na taxa de incidência da doença nos últimos 10 anos. 
Para combater essa séria doença existem muitos remédios disponíveis em farmácias — como insulina e sulfonilureias —, mas esses remédios têm potenciais efeitos colaterais. Alguns cientistas descobriram recentemente que a resistência a esses medicamentos e os sérios efeitos colaterais estão entre os principais problemas desses produtos farmacêuticos, incluindo insuficiência cardíaca, doença hepática e desconforto abdominal. Devido a isso, muitos médicos em todo mundo estão cada vez mais recomendando o uso de produtos naturais e fitoterápicos como recursos terapêuticos alternativos para o tratamento da DM.
É a partir daqui que a Spondias tuberosa Arruda — espécie de planta que pode ser encontrada no nordeste do Brasil —, conhecida popularmente como “umbu”, vira protagonista nessa história. Spondias tuberosa é uma planta que tem sido usada na medicina tradicional para tratar diversas doenças como infecções, distúrbios digestivos, diarreia e DM. Baseado nisso, e na recente descoberta que S. tuberosa não tem efeito tóxico quando utilizada por via oral, alguns pesquisadores vinculados ao INCT Etnobiologia, Bioprospecção e Conservação da Natureza tiveram a ideia de avaliar o efeito da casca do caule de Spondias tuberosa — que é chamado resumidamente pelos pesquisadores de EEStb — no tratamento de diabetes. 


    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante um período de 21 dias os pesquisadores observaram o efeito do EEStb em animais com DM. Os resultados que eles encontraram são bastante animadores para um futuro desenvolvimento de um medicamento, principalmente por ter sido, segundo os pesquisadores, o primeiro estudo a demonstrar que o tratamento a longo prazo com EEStb apresenta efeitos antidiabéticos e antioxidantes — esse efeito evita que as células sejam danificadas — em ratos diabéticos. Os principais efeitos do EEStb encontrados foi a diminuição significativa do açúcar/glicose no sangue desses animais e efeitos antioxidantes. Para os pesquisadores, esses efeitos sugerem que Spondias tuberosa desempenha um papel essencial na diminuição dos sintomas causados pela diabetes, podendo ser um recurso potencial para terapias alternativas no tratamento dessa doença. 
    Apesar desses resultados animadores, ainda falta algum tempo para que um dia possamos ter um medicamento a base dessa planta. Por isso, as pessoas não devem abandonar seus tratamentos convencionais para substituir pelo chá da Spondias tuberosa. 
Abaixo você encontra o link da página em que o artigo foi publicado.

 

Abaixo você encontra o link da página em que o artigo foi publicado.

         

            2018  

Spondias tuberosa inner bark extract exert antidiabetic effects in streptozotocin-induced diabetic rats

Journal of Ethnopharmacology pp 248–257

Humberto de Moura Barbosa, Dionísio Amaral, Jailson Nunes do Nascimento, Dijanah Cota Machado, Thiago Antônio de Sousa Araújo, Ulysses Paulino de Albuquerque, Jackson Roberto Guedes da Silva Almeida, Larissa Araújo Rolim, Norberto Peporine Lopes, Dayane Aparecida Gomes, Eduardo Carvalho Lira

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378874118310481

*Joelson Moura é doutorando em Etnobiologia e Conservação da Natureza (UFRPE) e integra o Laboratório de Ecologia e Evolução de Sistemas Socioecológicos (LEA) da UFPE. Tem como interesse científico a compreensão dos processos que contribuíram para a evolução da mente humana.

Lattes: lattes.cnpq.br/4073348755490283

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