O que sabemos a respeito das pesquisas sobre as perturbações antropogênicas crônicas em ecologia

Por Joecio Donnellys*

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     
       As perturbações antropogênicas (do grego: ánthrõpos = homem + genos =  geração) dizem respeitos às ações de origem humana que geram efeitos negativos sobre os ecossistemas. Essas perturbações, segundo a literatura, são entendidas de duas formas: as perturbações antropogênicas agudas (AAD - acute anthropogenic disturbance) e as perturbações antropogênicas crônicas (CAD - chronic anthropogenic disturbance). A primeira diz respeito às ações mais visualmente perceptíveis e pontuais, tais como corte de madeira (desmatamento); e a segunda, por sua vez, corresponde aos atos em menor escala e constantes, como, por exemplo, coleta de lenha, forragem e demais produtos florestais não-madeireiros. Apesar de serem feitas em menor escala, as perturbações antropogênicas crônicas, geram danos adversos, pois o ecossistema atingido pode não possuir tempo adequado para recuperação.
 

   Em relação às pesquisas sobre o assunto em questão tem-se percebido que uma considerável parte dos estudos são realizados em ambientes terrestres, principalmente em regiões desérticas e biomas de arbustos xéricos, seguidos por florestas decíduas temperadas e, por conseguinte, florestas decíduas secas tropicais e subtropicais. Já para as pesquisas realizadas em ambientes marinhos percebe-se que estas foram feitas em sua grande maioria em ecorregiões temperadas do Atlântico Norte e ecorregiões centrais do Índico-Pacífico. 
 

   Quanto a abordagem a maioria dos estudos foram feitos ao nível de comunidades ecológicas, seguidos por populações, e por fim, ecossistemas. Já os organismos mais pesquisados são plantas e animais, respectivamente. Os microrganismos são os mais negligenciados. Entre o grupo de animais mais pesquisados temos, respectivamente, invertebrados bentônicos, corais e artrópodes terrestres. Por fim, as perturbações mais estudadas são pastagem para gado, coleta de produtos florestais, poluição e atividades relacionadas à pesca. 
 

     Ao que se percebe, quanto aos gargalos sobre as pesquisas a respeito das perturbações antropogênicas crônicas, sabe-se que há necessidade do aumento número de estudos sobre os efeitos de baixa-escala das atividades pesqueiras em invertebrados bentônicos, bem como também os efeitos das atividades de navegação no comportamento de peixes. Já em ambientes terrestres incentiva-se o aumento de pesquisas sobre os efeitos da pastagem de gado no ciclo dos nutrientes do solo, as consequências das perturbações na fauna do solo, ou como pássaros e mamíferos são afetados por atividades relacionadas ao turismo.

 

 

Abaixo você encontra o link da página em que o artigo foi publicado.

            2020

 

 

Chronic anthropogenic disturbances in ecology: a bibliometric approach. Scientometrics

Paulo Henrique Santos Gonçalves, Thiago Gonçalves-Souza, Ulysses Paulino Albuquerque. 

https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-020-03403-x

 

 

*Joécio Donnellys possui graduação em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal do Piauí (2013). Mestre em Biodiversidade e Conservação na Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade de Serra Talhada (UFRPE/UAST). Possui experiência com estudos ambientais, licenciamento ambiental, gerenciamento de resíduos sólidos, Planos de Saneamento Básico, com ferramenta de Sistema de Informação Geográfica, na elaboração de mapas de localização, modelagem de uso e cobertura da terra, índices de vegetação (NDVI). Foi estagiário na Superintendência de Meio Ambiente da Águas e Esgotos do Piauí-SA, AGESPISA. 

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1617178819319314

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