É possível ter uma dieta sustentável? 

Por Joecio Donnellys*

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       
   
Você já parou para pensar que a forma e do que se alimenta também tem a ver com sustentabilidade? Se não, é melhor começar a repensar no que você está levando a sua mesa. Atualmente muito se fala sobre como manter hábitos saudáveis e reduzir os efeitos negativos sobre o meio ambiente e dentro deste contexto os nossos hábitos alimentares possuem uma relação próxima a esta temática.


       Sabe-se que 60% das calorias consumidas no mundo são oriundas apenas de três plantas: milho, trigo e arroz. E acredita-se que uma baixa diversidade alimentar tem um impacto negativo tanto na saúde das pessoas quanto do ambiente. Sendo assim, sugere-se que uma dieta sustentável é baseada em uma prática alimentar composta por uma diversidade de plantas comestíveis com acréscimo ocasional de proteína animal. 


     A forma como nossos alimentos são cultivados e processados também podem ocasionar efeitos negativos, a prática da monocultura, ou seja, de apenas uma planta (ex; arroz, milho, cana-de-açúcar, soja, entre outras) ao lado da pecuária são responsáveis pelo desmatamento ou descaracterização de extensas áreas florestadas, assim como pode ser observado na floresta Amazônica e no Cerrado brasileiro, onde áreas naturais cedem lugar para o cultivo de pasto, soja, etc. Além disso, consomem maiores quantidades de metros cúbicos de água quando comparadas ao consumo público. 

    Contudo para se promover uma dieta sustentável junto aos hábitos alimentares das pessoas já tão estabelecidos faz-se necessário a superação de alguns gargalos quanto ao que se sabe sobre as Plantas Alimentícias Biodiversas (tradução livre do inglês Biodiverse Food Plants - BFP). A busca pelo conhecimento do estado da biodiversidade de plantas comestíveis em caráter local é um passo imprescindível, principalmente a fim de estimular o consumo de componentes nutritivos dos mercados locais ligados à produção familiar ou orgânica e principalmente oriundos da flora nativa regional reduzindo o consumo de produtos industrializados ligados às grandes redes de supermercados e ou da indústria alimentícia (em muitas das vezes com menor capacidade nutritiva) e que causam grandes danos ao meio ambiente. 


       A temática da dieta sustentável ao se pensar na elaboração de um conhecimento e uma base científica forte exige a presença e contribuição multidisciplinar, com o intuito de tornar a discussão acerca da problemática ampla, diversa e possível sob o ponto de mudança dos hábitos alimentares menos saudáveis e das práticas de proteção ambiental que a temática levanta, assim como também do aumento e disponibilidade de dados nutricionais sobre essas plantas. Campos do conhecimento como a etnobiologia tem contribuído relevantemente para o conhecimento da dieta sustentável, especialmente através do aprimoramento de métodos de pesquisa sobre o assunto, entretanto ainda se faz mais que necessário a ampliação do diálogo para junto de outros campos da ciência.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O texto completo do artigo pode ser acessado  no seguinte link: ethnobioconservation.com/index.php/ebc/article/view/371

            2020

 

 

Biodiverse food plants: Which gaps do we need to address to promote sustainable diets?. Ethnobiology and Conservation.

Michelle Cristine Medeiros Jacob; Ulysses Paulino Albuquerque. 

 

 

*Joécio Sousa possui graduação em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal do Piauí (2013). Mestre em Biodiversidade e Conservação na Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade de Serra Talhada (UFRPE/UAST). Possui experiência com estudos ambientais, licenciamento ambiental, gerenciamento de resíduos sólidos, Planos de Saneamento Básico, com ferramenta de Sistema de Informação Geográfica, na elaboração de mapas de localização, modelagem de uso e cobertura da terra, índices de vegetação (NDVI). Foi estagiário na Superintendência de Meio Ambiente da Águas e Esgotos do Piauí-SA, AGESPISA. 

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1617178819319314

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