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Conservação de Plantas medicinais da Caatinga

Por Lucrécia Braz dos Santos*

 

 

       

 

 

      Você certamente já usou alguma planta para fins medicinais! Se nunca usou, com certeza já viu alguém usando, como seus avós, por exemplo. As plantas medicinais são importantes para muitas pessoas que vivem em comunidades rurais e que dependem desse recurso para o tratamento de doenças, além ser de extrema importância para a indústria farmacêutica. Porém, a coleta intensiva pode afetar o crescimento e a capacidade reprodutiva dessas plantas, podendo levar a extinção local. Assim, devido às altas pressões de coleta, é necessário identificar espécies prioritárias para conservação. Os índices de prioridade de conservação (IPCs) são baseados na ecologia das espécies e fatores relacionados ao seu uso. 


      Para acessar a conservação das espécies arbóreas medicinais, pesquisadores realizaram um estudo de revisão sistemática de artigos publicados sobre plantas medicinais da Caatinga com o objetivo de criar um índice de prioridade de conservação (IPC) para as espécies.  


      Os autores registraram 147 espécies de árvores nativas do Brasil (ou naturalizadas) com presença confirmada na Caatinga. Destas, 20 espécies são endêmicas da Caatinga e 56 são endêmicas do Brasil. A espécie com maior número de propriedades medicinais e considerada a mais versátil foi à aroeira (Myracrodruon urundeuva Allemão), com 110 propriedades. 
Considerando o interesse da indústria farmacêutica, as 10 espécies que tiveram os maiores valores de índice de prioridade de conservação-IPC e, portanto, as que mais precisam de conservação, foram Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos (pau d' arco roxo), Anacardium occidentale L. (caju), Copaifera langsdorffii i Desf. (copaíba), Myracrodruon urundeuva All., (aroeira do sertão), Libidibia ferrea (Mart. Ex Tul.) (pau ferro), Hymenaea courbaril L. (jatobá), Anadenanthera colubrina (Vell.) (angico branco), Bowdichia virgilioides Kunth (sucupira), Schinus terebinthifolius Raddi (aroeira pimenteira), e Amburana cearensis (Arr. Cam.) (imburana-de-odor).  


    Além da demanda da indústria farmacêutica, as comunidades locais comercializam plantas medicinais em mercados públicos, onde a casca do caule é a parte mais utilizada,  sendo  que extração desse recurso pode ser extremamente prejudicial à planta, visto que  afeta o crescimento.  Dessa forma, fica clara a necessidade de mais estudos sobre o status de conservação dessas espécies, para o desenvolvimento de estratégias que devem ser incorporadas aos seus planos de manejo, como por exemplo, aumento no tempo entre intervalos de coleta, a produção de viveiros de plantas, a implantação de programas de reflorestamento e criação de políticas públicas.

Abaixo você encontra o link para acessar o artigo.

          2021 

Indicators of conservation priorities for medicinal plants from seasonal dry forests of northeastern Brazil. Ecological Indicators.  

Juliana Loureiro Almeida Campos, Ulysses Paulino Albuquerque.

Acesse https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1470160X20309328

*Lucrécia Braz dos Santos é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Piauí-UESPI. Atualmente é Bolsista de Cooperação Técnica (BCT) no Laboratório de Ecologia e Evolução de Sistemas Socioecológicos (LEA) do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Etnobiologia, Bioprospecção e Conservação da Natureza da UFPE, responsável pela parte de Divulgação Científica. 

Lattes: lattes.cnpq.br/3817142117520941

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