As condições do ambiente podem afetar a qualidade de plantas medicinais

Por Joecio Donnellys*

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     O uso medicinal das plantas, em especial, está presente diariamente no cotidiano da sociedade humana, seja através do seu uso in natura, seja processadas na forma de medicamentos. Tal característica se deve especialmente as substâncias com propriedades terapêuticas (metabólitos secundários) empregadas em larga escala na saúde humana, atuando como agentes antitumorais, antimicrobianos, anti-inflamatórios,  entre outros.

 

         Os componentes fenólicos - tipo de metabólito secundário -, estão presentes em todas as partes das plantas os quais desempenham funções biológicas indispensáveis para o seu desenvolvimento estrutural e auxiliando-as nas adaptações às condições abióticas (chuva, estresse hídrico, secas prolongadas, nutrientes do solo, inundações, etc.) e a ataques biológicos (insetos).

       Evidências científicas mostram que  ambientes de clima seco ou árido, como por exemplo, o sertão nordestino brasileiro, favorece a síntese de metabólitos secundários nas plantas, principalmente em virtude das condições de constante estresse hídrico (redução da disponibilidade de água). Ao que tudo indica,  sob a mesma condição de estresse ou disponibilidade hídrica, as plantas respondem de maneira diferente na síntese destes químicos, podendo aumentar ou diminuir a sua quantidade a depender da planta.

 

     Já que os compostos fenólicos, assim  como os demais metabólitos secundários, são importantes substâncias empregadas na indústria de fabricação de medicamentos, da mesma forma que também são utilizados por comunidades humanas, chama-se a atenção ao fato de que as mudanças das concentrações destes compostos provocados pelo estresse hídrico, por exemplo,  influencia diretamente na qualidade terapêutica da planta, ou seja, comprometendo a sua eficiência.

       Apesar dos estudos realizados a este respeito observarem variações das concentrações dos compostos fenólicos nos tecidos das plantas e apontando o comprometimento de sua eficácia ao ser empregado para fins medicinais,  vale ressaltar que muitos estudos foram realizados em ambientes controlados (laboratórios, por exemplo). Portanto, em condições ambientais normais tais resultados podem ser apresentar de maneira diferente. Logo, torna-se indispensável o incentivo de novos estudos em condições ambientais diversas.

 

 

O texto do artigo pode ser acessado  no seguinte link: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0254629919321246

            2020

 

 

The effect of water deficit stress on the composition of phenolic compounds in medicinal plants. South African Journal of Botany.

Edward Teixeira Albergaria, Antônio Fernando Morais Oliveira e Ulysses Paulino Albuquerque. 

 

 

*Joécio Sousa possui graduação em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal do Piauí (2013). Mestre em Biodiversidade e Conservação na Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade de Serra Talhada (UFRPE/UAST). Possui experiência com estudos ambientais, licenciamento ambiental, gerenciamento de resíduos sólidos, Planos de Saneamento Básico, com ferramenta de Sistema de Informação Geográfica, na elaboração de mapas de localização, modelagem de uso e cobertura da terra, índices de vegetação (NDVI). Foi estagiário na Superintendência de Meio Ambiente da Águas e Esgotos do Piauí-SA, AGESPISA. 

Lattes: http://lattes.cnpq.br/1617178819319314

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