O que aumenta as chances de um animal ir para a panela? 

Por Lucrécia Braz dos Santos*

 

 

 

 

 

 

 

      A caça e o consumo de animais silvestres é uma atividade praticada desde os primórdios da evolução humana, onde indivíduos do gênero Homo viviam nas florestas e dependia da caça para sobrevivência. Entretanto,  ao longo do tempo, passamos a cultivar nossos alimentos e por isso dependemos menos desse recurso para sobrevivência. 


   Mas apesar disso, a caça de animais silvestres continua a ser praticada por muitas pessoas, sendo motivada por fatores como, lazer, esporte e necessidade de subsistência. Neste último caso, às vezes a carne de caça é a única fonte de proteína disponível, o que é muito comum na região semiárida do Nordeste brasileiro, onde vivem muitas famílias de baixa renda. 


   Assim, um grupo de pesquisadores buscou verificar a influência de custo-benefício, abundância percebida e preferência pelo sabor na seleção de espécies caçadas. Por meio de entrevistas com pessoas que consomem carne silvestre em nove comunidades do Nordeste brasileiro. 


    Os resultados mostraram que uma espécie que garante um alto retorno de custo-benefício da biomassa como o tatu peba (Euphractus sexcinctus) é mais provável de ser caçado do que um gambá (Conepatus semistriatus).   E uma espécie abundante como o preá (Cavia aperea) é mais provável de ser caçada do que uma espécie pouco abundante como tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla). 


     

 

 

A preferência pelo sabor tem forte influência sobre as espécies caçadas. Por exemplo, o tatu verdadeiro (Dasypus novemcinctus), que é moderadamente abundante e muito apreciado pelo seu sabor, é mais provável de ser caçado do que uma espécie não apreciada e de abundância semelhante. 


     Dessa forma, uma maior abundância das espécies, bem como a preferência pelo sabor aumentam as chances de uma espécie ser caçada.   A relação custo-benefício da biomassa não é o aspecto mais importante na seleção das espécies caçadas, pois os caçadores podem preferir espécies que requerem menos esforço de captura.


     Assim, fica claro que as pessoas caçam as espécies mais disponíveis independentemente do custo-benefício dessa escolha, e o sabor aumenta quase 100% às chances de uma espécie ser caçada.  A preferência pelo sabor é proporcionalmente a variável com o efeito mais significativo nas chances de uma espécie ser caçada.

Abaixo você encontra o link da página em que o artigo foi publicado.

          2020  

 Hunters' preferences and perceptions as hunting predictors in a semiarid ecosystem. Science of The Total Environment  

Leonardo Silva Chaves, Rômulo R. N. Alves; Ulysses Paulino Albuquerque.  

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0048969720320076

*Lucrécia Braz dos Santos é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Piauí-UESPI. Atualmente é Bolsista de Cooperação Técnica (BCT) no Laboratório de Ecologia e Evolução de Sistemas Socioecológicos (LEA) do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia-Etnobiologia, Bioprospecção e Conservação da Natureza da UFPE, responsável pela parte de Divulgação Científica. 

Lattes: lattes.cnpq.br/3817142117520941

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